Outubro chegou e, com ele, aquela velha vontade de apagar as luzes, aumentar o volume da televisão e descobrir se ainda somos capazes de assistir a um filme de terror sem olhar para trás a cada cinco minutos.
O Halloween tem esse poder.
É a época do ano em que até quem normalmente passa longe do gênero começa a procurar uma casa assombrada, um monstro, uma criatura sobrenatural ou simplesmente alguma história capaz de provocar aquela deliciosa sensação de desconforto.
E 2026 foi um ano particularmente generoso para quem gosta de sentir medo.
Tivemos franquias conhecidas tentando encontrar novos caminhos, diretores dispostos a brincar com nossas expectativas, adaptações de fenômenos da internet, horror psicológico, criaturas, demônios, mortos-vivos e histórias que descobriram que não precisam necessariamente de dezenas de sustos para deixar uma marca.
Mas quais desses filmes realmente merecem entrar na programação do Halloween?
O Cinestésico reuniu oito títulos lançados em 2026 que chegaram aos cinemas ou às plataformas digitais e que, por diferentes motivos, merecem a atenção dos fãs do gênero.
Não é um ranking.
Até porque colocar filmes de propostas tão diferentes em uma fila do primeiro ao oitavo lugar seria quase como comparar uma casa mal-assombrada com um apocalipse zumbi.
Aqui, a pergunta é outra:
vale a pena assistir?
1. 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos
Poucas franquias de terror carregam tanto peso histórico quanto “Extermínio”.
Depois de Danny Boyle e Alex Garland reabrirem a porta para o universo criado em 2002, “28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” decidiu não simplesmente repetir a fórmula.
Dirigido por Nia DaCosta, o filme amplia aquele mundo devastado pelos infectados e encontra uma maneira própria de explorar o que acontece quando a humanidade passa tempo demais convivendo com o fim do mundo.
Ralph Fiennes é uma das grandes forças do filme, enquanto a atmosfera continua sendo construída muito mais pelo desconforto do que pelo susto fácil.
E talvez esse seja o maior mérito da produção.
O filme entende que, depois de três décadas, o mais assustador não é apenas o monstro.
É aquilo que os seres humanos se tornaram.
A violência, a brutalidade e a perda de qualquer referência de normalidade fazem parte de um universo em que sobreviver deixou de significar necessariamente continuar humano.
Vale a pena?
Sim — especialmente para quem gosta de terror pós-apocalíptico com atmosfera.
Não espere apenas uma sucessão de corridas e ataques. “O Templo dos Ossos” parece mais interessado nas consequências psicológicas e sociais daquele mundo.
É um terror que prefere permanecer na cabeça depois dos créditos.
Veredito Cinestésico: VALE MUITO A PENA.
2. Resident Evil
Existe uma tradição cinematográfica curiosa: sempre que alguém anuncia um novo “Resident Evil”, uma parte do público desconfia.
E não é difícil entender o motivo.
Depois de várias adaptações, reboots e tentativas de encontrar uma identidade para a franquia, Zach Cregger recebeu uma missão complicada: fazer com que “Resident Evil” parecesse novamente assustador.
E o resultado é surpreendentemente divertido.
A nova produção acompanha Bryan, um entregador que acaba envolvido em um pesadelo em Raccoon City depois de atropelar uma mulher misteriosa. A partir daí, o filme começa a mergulhar em um universo de criaturas, sobrevivência e humor sombrio.
O que chama atenção é justamente a liberdade de Cregger.
Depois de “Barbarian” e “Weapons”, o diretor parece ter encontrado espaço suficiente dentro de uma propriedade conhecida para imprimir sua personalidade.
Não é simplesmente uma adaptação obediente do videogame.
Também não tenta apagar tudo que veio antes.
É uma espécie de novo começo.
E talvez seja exatamente disso que a franquia precisava.
Vale a pena?
Se você abandonou “Resident Evil” depois de algumas das adaptações anteriores, vale a pena dar outra chance.
E se você nunca teve paciência para a franquia, melhor ainda: o filme funciona como uma porta de entrada razoavelmente independente.
Veredito Cinestésico: ASSISTA SEM MEDO.
3. Evil Dead Burn
Agora chegamos à categoria:
“Você gosta de terror ou gosta de dormir tranquilamente?”
“Evil Dead Burn” não parece muito interessado em responder essa pergunta por você.
Sébastien Vaniček assume a direção e mergulha novamente no universo de “Evil Dead”, trazendo uma história de família, possessão demoníaca e violência gráfica.
Alice se reúne com a família do marido morto em uma casa isolada. Naturalmente, nada disso termina bem.
Quando uma força demoníaca começa a possuir os moradores, a reunião familiar vira uma carnificina.
E aqui está o ponto.
“Evil Dead Burn” sabe exatamente o que o público quer.
Sangue.
Muito sangue.
O filme aposta nos efeitos práticos, nas transformações grotescas e em situações que parecem ter sido concebidas por alguém que acordou pela manhã perguntando: “Como podemos tornar isso ainda mais nojento?”
A crítica que podemos fazer é justamente essa.
Em alguns momentos, o filme parece tão apaixonado pela própria violência que esquece de desenvolver melhor seus personagens e suas ideias. O gore funciona, mas nem sempre existe algo tão interessante acontecendo por baixo dele.
Mas talvez isso não seja um problema tão grande.
Afinal, ninguém entra em “Evil Dead” esperando um tratado filosófico sobre a condição humana.
Vale a pena?
Se você gosta de horror gráfico, provavelmente vai se divertir.
Se sangue em quantidade industrial faz você procurar imediatamente um filme de comédia romântica, passe longe.
Veredito Cinestésico: PARA QUEM TEM ESTÔMAGO.
4. Backrooms – O Labirinto
Poucos fenômenos da internet parecem tão adequados ao cinema quanto as Backrooms.
Aquela imagem aparentemente banal de um corredor vazio, iluminado por luzes fluorescentes e coberto por um carpete amarelado, transformou-se em um universo inteiro de histórias.
Kane Parsons decidiu levar essa ideia para o cinema.
E o resultado é um filme que entende uma coisa fundamental sobre o medo:
às vezes, o vazio assusta mais do que aquilo que está escondido dentro dele.
A história acompanha um vendedor que encontra um portal para uma realidade aparentemente interminável. O que começa como uma descoberta estranha transforma-se rapidamente em um pesadelo labiríntico.
“Backrooms” trabalha com o desconforto do espaço.
Corredores.
Salas.
Portas.
Lugares que parecem iguais.
E aquela sensação horrível de que, quanto mais você tenta encontrar uma saída, mais distante ela fica.
É uma proposta especialmente interessante para quem já está cansado do terror que explica demais seus monstros.
Aqui, a sensação de não compreender completamente aquele universo faz parte da experiência.
Vale a pena?
Sim, mas com uma ressalva.
“Backrooms” exige paciência.
Quem estiver esperando sustos a cada cinco minutos pode terminar decepcionado. Quem comprar a proposta de um pesadelo surreal provavelmente encontrará algo muito mais interessante.
Veredito Cinestésico: ASSISTA SE VOCÊ GOSTA DE TERROR ESTRANHO.
5. Hokum: O Pesadelo da Bruxa
Adam Scott em um filme de terror parece uma daquelas combinações que imediatamente despertam curiosidade.
Em “Hokum”, ele interpreta um escritor que viaja para a Irlanda para espalhar as cinzas dos pais e acaba preso em um hotel assombrado. O passado, entretanto, começa a voltar à superfície junto com forças que parecem muito menos interessadas em deixá-lo partir.
O filme aposta no horror folclórico e em uma atmosfera muito mais clássica.
E isso é ótimo.
Em uma época em que tantos filmes de terror parecem determinados a explicar suas criaturas através de regras, mitologias e universos cinematográficos, “Hokum” recupera um pouco daquele prazer de simplesmente entrar em uma história estranha e aceitar que talvez algumas coisas não tenham explicação.
O resultado não é perfeito.
Existem momentos em que o ritmo parece mais lento do que deveria, e o filme poderia explorar melhor algumas de suas ideias.
Mas existe personalidade.
E personalidade, no terror, vale muito.
Vale a pena?
Para quem gosta de histórias de casas assombradas, lendas e atmosfera, sim.
Não é o tipo de filme que vai tentar competir com “Evil Dead Burn” na quantidade de sangue.
Sua arma é outra.
É o desconforto.
Veredito Cinestésico: APAGUE AS LUZES E DÊ UMA CHANCE.
6. Socorro!
Sam Raimi resolveu voltar ao terror.
E isso, por si só, já seria suficiente para colocar “Socorro!” na nossa lista.
Mas o diretor não quis simplesmente repetir seus trabalhos anteriores.
A história coloca duas pessoas em uma situação extrema de sobrevivência e mistura horror, tensão e humor. O resultado é um filme que parece ter consciência de que o público já viu dezenas de histórias de pessoas tentando escapar de situações impossíveis.
A diferença está na maneira como Raimi conduz o caos.
“Socorro!” funciona especialmente bem quando deixa de tentar ser apenas assustador e abraça o humor ácido, a dinâmica entre os personagens e aquela sensação de que qualquer coisa pode acontecer.
Rachel McAdams e Dylan O’Brien seguram boa parte dessa experiência.
É um filme que não precisa escolher entre rir e sentir tensão.
Ele quer os dois.
Vale a pena?
Se você procura um filme para assistir no Halloween com amigos, essa pode ser uma das escolhas mais interessantes da lista.
É terror, mas também é entretenimento.
E às vezes tudo que queremos no Halloween é isso.
Veredito Cinestésico: ÓTIMO PARA UMA SESSÃO COM AMIGOS.
7. Obsession: A Felicidade é Relativa
Aqui entramos em um território um pouco diferente.
“Obsession” começa com uma ideia quase absurda: um jovem compra um brinquedo sobrenatural capaz de realizar um desejo e pede o coração da garota por quem é apaixonado.
O problema?
O desejo funciona.
Só que não exatamente como ele imaginava.
A partir daí, o filme transforma paixão, desejo e obsessão em uma espiral de pesadelo.
É o tipo de premissa que poderia facilmente resultar em um filme de terror adolescente esquecível.
Mas “Obsession” encontra uma personalidade própria.
Existe humor sombrio, estranheza e uma boa dose de perversidade.
O filme também conversa com uma ideia muito contemporânea: até que ponto queremos controlar aquilo que desejamos?
E o que acontece quando conseguimos?
Talvez o maior problema seja que a produção nem sempre consegue manter o mesmo nível de criatividade durante toda a jornada.
Mas quando funciona, funciona muito bem.
Vale a pena?
Sim, especialmente para quem procura alguma coisa diferente das franquias tradicionais.
Não é o filme para quem quer apenas sustos.
É uma escolha melhor para quem gosta de terror com uma ideia estranha no centro.
Veredito Cinestésico: UMA BOA SURPRESA.
8. O Primata
Existe uma categoria de filmes de terror que não precisa de fantasmas.
Nem demônios.
Nem maldições.
Às vezes basta colocar um animal muito irritado no lugar errado.
“O Primata” pega uma ideia simples: um grupo de amigos está de férias no Havaí, onde a família criou um chimpanzé como animal de estimação. Depois que o animal é infectado, as férias rapidamente se transformam em uma luta pela sobrevivência.
Não é exatamente uma reinvenção do gênero.
E talvez nem queira ser.
O filme trabalha dentro daquela tradição dos thrillers de criatura que transformam um espaço paradisíaco em uma armadilha.
Seu maior mérito é entender que um chimpanzé já é naturalmente uma criatura extremamente poderosa e imprevisível.
Não precisamos de muita coisa além disso.
Por outro lado, a produção não alcança a mesma força dos melhores filmes desta seleção. Algumas situações parecem familiares demais e nem sempre existe uma preocupação maior em desenvolver seus personagens.
Mas existe diversão.
E, em uma maratona de Halloween, diversão também conta.
Vale a pena?
Se você gosta de filmes de criaturas, ataques violentos e sobrevivência, sim.
Só não espere encontrar uma nova obra-prima do terror.
Veredito Cinestésico: DIVERTIDO, MAS SEM GRANDES PRETENSÕES.
Afinal, qual deles merece entrar na sua noite de Halloween?
Talvez essa seja a pergunta mais interessante.
Porque não existe apenas um tipo de fã de terror.
Há quem queira ficar genuinamente assustado.
Há quem queira sangue.
Há quem prefira uma história sobrenatural.
Há quem adore monstros.
E há aquele espectador que diz que não gosta de terror, mas aparece misteriosamente na sala quando o filme começa.
Para esse último, infelizmente, não temos solução.
Mas para os demais, temos algumas pistas.
Quer atmosfera e um terror mais sofisticado?
Vá de “28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” ou “Hokum”.
Quer violência?
“Evil Dead Burn” está praticamente batendo na porta da sua casa.
Quer uma experiência estranha e diferente?
“Backrooms” e “Obsession” são boas apostas.
Quer uma sessão divertida com os amigos?
“Socorro!” provavelmente funciona melhor.
Quer criaturas e sobrevivência?
“O Primata” resolve a questão.
Quer uma franquia conhecida que realmente tente fazer algo diferente?
“Resident Evil” merece sua atenção.
E existe uma última recomendação.
Não procure necessariamente o filme mais assustador.
Procure aquele que combina com o tipo de medo que você quer sentir.
Porque o terror é um dos poucos gêneros em que o espectador participa ativamente da experiência.
Uma mesma cena pode fazer uma pessoa rir, outra fechar os olhos e uma terceira perguntar:
“Mas isso é mesmo possível?”
É justamente por isso que continuamos voltando.
A gente sabe que é mentira.
Sabe que o monstro não está debaixo da cama.
Sabe que ninguém vai sair de dentro da televisão.
Sabe que aquela casa mal-assombrada não existe.
Mas, durante duas horas, aceitamos fingir que existe.
E talvez essa seja a verdadeira magia do Halloween.
Apague as luzes. Escolha seu filme. E boa sorte.


